Bexiga não liga com Bexiga…

Há uns meses atrás, a C. perguntou-me se podia casar com uma amiga. Se esta conversa se tivesse passado com a T. ou com o J., 20 anos antes, teria automaticamente dito que não, que as mulheres casam com os homens, blá, blá…

Todavia, face à sua pergunta, não hesitei em responder de imediato: SIM! Compreendo e respeito quem não pensa e não sente assim (eu fui educada para o preconceito, “tatuada” com terminologias e definições a respeito de toda e qualquer diferença), mas se no nosso país a Lei que regula o casamento entre pessoas do mesmo género entrou em vigor a 5 de Junho de 2010 (17 dias antes da C. nascer), como poderia eu responder de outra forma?

Adiantei que o Amor não tem género e que respeitaremos sempre as suas escolhas. Quero que a C. seja uma pessoa esclarecida, que o respeito enquanto valor fundamental lhe seja endógeno. Raça, género, religião? Qualquer escolha que faça, desde que a faça com a consciência de que esses valores fundamentais vão ser honrados e respeitados pela pessoa escolhida, digo-lhe a ela o que disse aos manos, à medida que interiorizei o valor da diferença na minha vida: só quero que sejam felizes.

Claro que… Bom! Ando “às voltas” para lhe explicar o funcionamento da reprodução… É que a C. já me disse: bexiga não liga com bexiga… – Mas não há-de ser difícil. Acreditem, nós, adultos, é que complicamos tudo, para eles – sem filtro e com um invulgar pragmatismo – é tudo muito mais fácil.

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