“O meu filho” é diferente?! E então? Eu também sou.

Não há “pessoas normais”. Há um padrão e uma expectativa em relação aos modelos existentes, aos meios, aos recursos. Todos nós temos alguns desvios, uns maiores do que outros e, por isso, não existem vidas perfeitas (pffff…). A felicidade, quanto a mim, não é um rio que corre em constante harmonia. Creio que a felicidade são “apenas” momentos, tantas vezes breves momentos, que nem sempre reconhecemos, pelos quais nem sempre ficamos agradecidos. Um passeio matinal com a pessoa que amamos, durante o qual nos sentimos em perfeita sintonia, as pequenas vitórias dos nossos “pequeninos”, o dia em que o nosso adolescente diz para não nos preocuparmos pois fizemos um óptimo trabalho, ou mesmo quando a nossa filha mais velha liga, porque foi convidada para expor o seu trabalho no museu, ou porque simplesmente «Estou oficialmente noiva, mãe!» e nos envia a fotografia da mão com o anel com que tanto sonhou.

Todos os nossos filhos têm pequenas/grandes vitórias, angústias, medos, nem sempre é fácil “chegar a eles”, por vezes parece que caminhamos contra o vento.

Os filhos mais especiais, cujo diagnóstico médico os identificou como portadores de algum tipo de dança cromossômica invulgar, dificuldades psicomotoras, neurológicas, de âmbito da psiquiatria, os que sofreram um acidente, ou estiveram tão doentes que a doença os transformou em pessoas diferentes, são apenas isso mesmo: Filhos especiais! Que provavelmente necessitam de cuidados especiais, com uma dedicação especial que, eventualmente, nos pode deixar especialmente cansados. Mas também são eles que nos amam de forma especial e que, à sua maneira, potenciam surpresas muito especiais.

Buscamos ao longo da vida a tão afamada igualdade (homogeneidade?) . Este é um termo que carece de contexto. O conceito de igualdade é um pressuposto fundamental, no entanto dinâmico. Fundamental, porque as questões básicas de acesso à saúde, alimentação, educação, oportunidades de trabalho, condições dignas de vida, sim, deveria existir um suporte transversal a toda e qualquer sociedade que, de acordo com o respeito pelas diferenças culturais, garantisse esse princípio básico.

Todavia a igualdade, sendo um conceito dinâmico pressupõe a assunção de que, de um modo geral, somos todos diferentes. Nesta equação há que incorporar, necessariamente, os conceitos de Respeito e Tolerância.

Assim, creio que o reconhecimento da diferença é o passo essencial para a desvirtuação do que tantas vezes é reconhecido como um problema. A sistematização do discurso da igualdade perde-se pela inconsistência do não reconhecimento da diferença. A militarização da educação, a formatação social, a globalização – seja no seu conceito mais lato, seja no mais estrito – escondem-nos as ferramentas para trabalharmos e progredirmos valorizando a diferença.

Na sociedade que busca a igualização, deixando que o valor do mérito de cada um, pelo seu empenho e dedicação nem sempre sejam valorizados, dedicamo-nos a identificar padrões, rótulos, tentando que a nossa linha tenha a inserção num desses padrões, para que possamos ostentar o correspondente rótulo, “ser aceites pelo grupo”.

Do ponto A ao ponto B, ou juntando pontos que resultam em linhas, nem sempre retas, que nos fazem ver desenhos possíveis, são assim tão diferentes membros da mesma família, irmãos que cresceram juntos num contexto estrutural e conjuntural em tudo idêntico. O nosso dever enquanto pais é o de estar atentos, de saber ouvir, de atribuir responsabilidades, e de respeitar aqueles seres que, muito embora nasçam de nós e por nós sejam educados, são seres únicos, com capacidades e vontades igualmente únicas. Orientar, sim, restringir ou coartar, não!

Eu acredito na sociedade da diferença. Eu não quero ser igual, quero ter oportunidades básicas iguais aos “outros”, com acesso a ferramentas essenciais. No entanto, quero lutar pela diferença, não pela hegemonia de género, não pela hegemonia de raça nem pela religiosa. Eu não me quero esconder atrás de argumentos sustentados ao longo de séculos, buscando a evolução da semiologia (no âmbito da linguística –  semiótica)  mas, paradoxalmente, esvaziando-se a magnitude da diferença em jogos de sintaxe que se interpõem entre o que poderia ser a nossa verdade, e a mentira do espaço padrão em que coexistimos.

Até já e um dia feliz!

laço 100px

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s