Nem sempre, nem nunca!

Criança confetis

20 Anos de diferença entre o primeiro filho e o último obviaram-me alguns detalhes do quotidiano mas, 20 anos depois o mundo está muito diferente, há que aprender como se fosse a primeira vez.

A imaturidade de mãe que eu era na casa dos 20, diferencia-me muito da mãe que sou hoje.

Os padrões dos meus pais estavam impregnados em mim, e não, nem tudo era bom. Assim, a palmada – levei muitas e vê… estou aqui hoje – era um “hábito”; só que, da primeira palmada às seguintes é um pulo, um triste “hábito” que faz uma mão bater ao mais pequeno desaire (e quantas vezes está dependente do dia que estamos a ter e da nossa paciência).

Bater: NÃO! Ficou completamente riscado da minha vida. Os miúdos são mais pequenos que nós, mas merecem o nosso respeito e a nossa coerência (não se bate em meninos mais pequenos…)

Um grande amigo meu, que já perdeu a mãe, uma mãe que amava e acarinhava, mas que também lhe batia…. muito. Sempre que ele pega numa colher de pau para cozinhar, é da mãe que se lembra; ela costumava bater-lhe com colheres de pau, chegando a parti-las no rabo do filho.

Há 20 anos não estava tão atenta a uma série de desfasamentos e dificuldades das crianças. O J. tinha na sua turma do 1º ano uma amiga com síndroma de down, um amigo portador do X-frágil, mas pouco ou nada se falava de deficit de atenção, hiperatividade, automismo nas suas variadas manifestações, ou outras patologias.

Hoje, por seu turno, é rara a criança que não é “diagnosticada” com tudo e mais alguma coisa.

Se temos que estar atentos? Claro que sim, e sei do que falo… Descobri, já em adulta, que sou portadora de TDAH (Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade). Embora no presente tente encontrar ferramentas que me permitam lidar com a condição, as consequências que essa condição me trouxe tiveram um profundo impacto no meu desenvolvimento, pois era entendido como: precipitação, distracção, desorganização, trapalhada, incoerência, etc.; as criticas eram diárias e tornaram-me insegura, e numa pessoa vazia de auto-estima.

Para além do que acima descrevi, é muito cansativo ter sempre a cabeça a “1000”; estar a ver um filme com a cabeça nas múltiplas actividades que quero, ou que devia fazer…

Yoga ajuda, meditação também (quando a C. não está ao meu lado a fazer Oooommmm e a Pipa a saltar para o meu colo), listas (listas, listas…. to-dos… OMG! Parece um campo de azedas com post-its em todo o lado). Enfim, gere-se a desordem o melhor possível.

Mas, após este intróito, nem todas as crianças têm “alguma coisa”. O que tenho observado é que existe uma pressão por parte das escolas e dos próprios pais (eu incluída) de encontrar respostas para alguns desfasamentos menores (quanto a mim) no ritmo de aprendizagem.

Ok, por vezes, naturalmente, é necessária a intervenção dos especialistas, mas os miudos têm mesmo ritmos de absorção heterogéneos no que toca à aprendizagem da leitura, escrita, compreensão do que os rodeia, vocabulário. Desde logo as famílias são diferentes, então a sua aculturação também o é.

Creio que concebemos expectativas demasiado altas relativamente aos filhos e ficamos ofuscados por um padrão, esquecendo a singularidade de cada um deles. A ansiedade que lhes transmitimos com a altura das fasquias é, isso sim, um problema.

As pessoas crescidas têm sempre necessidade de explicações… nunca compreendem nada sozinhas e é fatigante para as crianças estarem sempre a dar explicações.” – Antoine de Saint-Exupéry

O Que é o Deficit de Atenção

A única coisa errada/desvantagem com o Deficit de Atenção é não saber que o tem e não saber como aproveitar os pontos positivos

Vou começar por lhe dizer que o Deficit de Atenção não é falta de concentração por falta de empenho ou um comportamento indisciplinado resultante da educação dada pelos pais.

Se os pais de crianças sem Deficit de Atenção se empenhassem da mesma forma que os pais de crianças Hiperativas na educação dos seus filhos, todos eles seriam uns génios, super bem educados e extremamente organizados.

Educar ou viver com alguém com Deficit de Atenção é um desafio enorme e os familiares, amigos e colegas de pessoas com Deficit de Atenção deveriam de receber o devido mérito.

O Deficit de Atenção também não é uma condição psicológica que se uma pessoa realmente quisesse era pontual e organizada ou que passa com a ajuda dum psicólogo.

Pedir a uma pessoa com Deficit de Atenção para se concentrar e organizar é a mesma coisa que pedir a uma pessoa com miopia para se esforçar mais e tentar ler sem óculos ou pedir a um coxo para correr mais depressa.

É impossível e está fora do controlo da pessoa com Deficit de Atenção.

O Deficit de Atenção é uma condição física que se caracteriza pelo sub-desenvolvimento e mau funcionamento de certas partes do cérebro, nomeadamente:

  • Lobos Frontais
  • Corpo Caloso
  • Gânglios da Base ou Núcleos da Base
  • Cerebelo
  • Sistema Dopaminérgico – Falta de e/ou Recaptação Precoce da Dopamina
  • Sistema Noradrenérgico – Falta de e/ou Recaptação Precoce da Noradrenalina

Mas também pela menor e menos eficaz atividade elétrica, menor circulação sanguínea no cérebro e má gestão da glucose que é o principal combustível do cérebro.

Tudo isto leva a que haja uma má comunicação entre neurónios, má comunicação e falta de sincronização entre as várias partes do cérebro.

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