Homens! No plural…

Cá em casa existe uma forma de comunicar que o meu querido L. privilegia. Partindo do pressuposto que somos uma equipa – nos bons e maus momentos – ele, como bom macho alfa, lidera a “matilha”.

É sabido que o macho alfa é aquele que, de forma determinada e confiante, domina, tendo por isso mesmo um papel de liderança no grupo, já que tem uma capacidade de sedução e conquista fora de série (e foi assim que me levou à certa 😊). Se ele fosse uma macho beta (mas não de betinho, de ómega), calculo que a coisa não tivesse feito faísca.

Bom, como bom líder que é, o L. é um gigante a conceptualizar. Tem ideias fantásticas e iniciativas únicas, das mais elaboradas às mais simples e rotineiras; e é aí que a “porca torce o rabo”.

Então, passo a explicar: quando o L. diz: «hoje temos que mudar a água aos peixes», realmente quer dizer: muda, se faz favor a água do aquário, já não dá para ver lá para dentro. Se diz: «Ah! O jantar vai ser esparguete à bolonhesa? O que me apetecia mesmo era frango grelhado…» e gentilmente ainda acrescenta «e assim não tinhas trabalho», o que, sumariamente significa: mete-te no carro e vai buscar um frango e umas batatinhas fritas.

E poderia prosseguir com milhares de exemplos que fazem parte das nossas rotinas, contudo, a nota digna de registo que quero deixar, é a de elogio ao meu L.; nunca se esquece de me “incluir”, somos uma “equipa”! Quem não teve um daqueles colegas de grupo que tinha sempre uma boa desculpa para ser coautor do trabalho, mas não fazia népia?

Pois bem, eu tenho um modelo assim em casa (e até lhe acho muita graça, tanto é que me casei com ele, e sim, ele já falava no plural antes “não comprei gato por lebre”). No plural, sempre no plural!

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Idoneidade (um apontamento à adopção)

Ser idóneo pressupõe a capacidade de alguém ser apto, moral ou fisicamente, tendo a capacidade para cumprir requisitos em determinado âmbito.

Ora, se falamos de conduta moral, aferir da idoneidade de forma objectiva poderá não ser tarefa fácil. Desde logo a idoneidade não se define pelas habilitações literárias, posição social ou bem estar material.

Este preâmbulo precede um caso que observei com incredulidade. Um dia, conversando com um colega, este dizia-me que ele e a mulher – face, infelizmente, à dificuldade em engravidar – consideravam a possibilidade de adoptar. Todavia, ele havia ficado muito chocado, pois ao procurar saber o que era necessário para se candidatarem ao processo de adopção, soube que deveriam ser sujeitos a um levantamento exaustivo das suas condições, o que implicaria, naturalmente, a idoneidade do casal. – “Idoneidade?!” – dizia-me ele com indignação – “questionarem a nossa idoneidade é patético… somos os dois advogados!” – Tentei fechar a boca, cosê-la, não desatar a dizer impropérios, pois surpreendeu-me o facto de um advogado ter este tipo de discurso, um argumento bacoco, como se a sua actividade profissional/habilitações académicas definissem a sua conduta moral.

E esse é o aspecto crucial. Imagino que seja muito difícil a avaliação da idoneidade das pessoas, em processos de esta ou de outra natureza. Na realidade existem pais, biológicos ou não, que, lamentavelmente, não proporcionam as melhores condições para educar uma criança.

Diria que a adopção é uma gravidez com contornos diferentes, não deixa, no entanto, de o ser, uma vez que é um período de espera, durante o qual se vão criando laços com aquele ser que vai pertencer à família, com toda a responsabilidade e entrega que implica a parentalidade.

Conheço casos de adopção de enorme sucesso, crianças felizes numa família equilibrada, apesar dos desafios acrescidos que podem, ou não, estar associados ao processo. Contudo, conheço também casos francamente maus, relativamente aos quais me interrogo acerca dos motivos que levaram os “pais” a consumar um processo deste natureza.

Num caso, em particular, observei pais que tratavam os filhos como “coisas” para cumprir – assim o creio – um qualquer objectivo que desconheço. Estar à mesa num almoço ou jantar de aniversário que denomino de “odeio-vos a todos, mas vamos lá cumprir a praxe”, e ver o casal zombar dos filhos: “universidade?” – seguido de risos jocosos – “Só se fores para a universidade dos burros!” – e assim prosseguiam, inferiorizando-os, humilhando-os, enquanto os pequenos, claramente embaraçados, enfiavam as cabeças nos tablet’s da maçã, última geração, desconfortáveis nas roupas de marca que os pais suponham atribuir-lhes distinção. Os miúdos, ora deixavam cair um sorriso amarelo, ora se procuravam abster,  acabrunhados pela constante menosprezo.

Para o exterior, que idóneos! Ela em jeito de caridosa senhora(?) da caridadezinha, enquanto ele, bom cargo numa conhecida empresa portuguesa; ambos com formação universitária.

 

Exibiram-nos e foram muito elogiados pelo seu “acto generoso e de enorme coragem”. Tentaram entrosar os pequenos com a “natinha da nata”, mas os miúdos eram apenas miúdos. Tudo o que mais precisavam, tão pouco… aqueles “pais” desprovidos de sentimentos e valores, carinho, paz, harmonia, amor, conversas francas e saudáveis … Qual quê?! “Pasme-se! Então dou-lhe um Apple, que me custa os olhos da cara, e nem faz um esforço para comer à mesa?

Tanto que haveria por dizer… Mas por favor, que não hajam equívocos: Idoneidade, valores morais, e tudo aquilo que consubstancia estas palavras, não se torna verdade na profissão, posição social e/ou financeira, estas não definem o carácter de ninguém!

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“O meu filho” é diferente?! E então? Eu também sou.

Não há “pessoas normais”. Há um padrão e uma expectativa em relação aos modelos existentes, aos meios, aos recursos. Todos nós temos alguns desvios, uns maiores do que outros e, por isso, não existem vidas perfeitas (pffff…). A felicidade, quanto a mim, não é um rio que corre em constante harmonia. Creio que a felicidade são “apenas” momentos, tantas vezes breves momentos, que nem sempre reconhecemos, pelos quais nem sempre ficamos agradecidos. Um passeio matinal com a pessoa que amamos, durante o qual nos sentimos em perfeita sintonia, as pequenas vitórias dos nossos “pequeninos”, o dia em que o nosso adolescente diz para não nos preocuparmos pois fizemos um óptimo trabalho, ou mesmo quando a nossa filha mais velha liga, porque foi convidada para expor o seu trabalho no museu, ou porque simplesmente «Estou oficialmente noiva, mãe!» e nos envia a fotografia da mão com o anel com que tanto sonhou.

Todos os nossos filhos têm pequenas/grandes vitórias, angústias, medos, nem sempre é fácil “chegar a eles”, por vezes parece que caminhamos contra o vento.

Os filhos mais especiais, cujo diagnóstico médico os identificou como portadores de algum tipo de dança cromossômica invulgar, dificuldades psicomotoras, neurológicas, de âmbito da psiquiatria, os que sofreram um acidente, ou estiveram tão doentes que a doença os transformou em pessoas diferentes, são apenas isso mesmo: Filhos especiais! Que provavelmente necessitam de cuidados especiais, com uma dedicação especial que, eventualmente, nos pode deixar especialmente cansados. Mas também são eles que nos amam de forma especial e que, à sua maneira, potenciam surpresas muito especiais.

Buscamos ao longo da vida a tão afamada igualdade (homogeneidade?) . Este é um termo que carece de contexto. O conceito de igualdade é um pressuposto fundamental, no entanto dinâmico. Fundamental, porque as questões básicas de acesso à saúde, alimentação, educação, oportunidades de trabalho, condições dignas de vida, sim, deveria existir um suporte transversal a toda e qualquer sociedade que, de acordo com o respeito pelas diferenças culturais, garantisse esse princípio básico.

Todavia a igualdade, sendo um conceito dinâmico pressupõe a assunção de que, de um modo geral, somos todos diferentes. Nesta equação há que incorporar, necessariamente, os conceitos de Respeito e Tolerância.

Assim, creio que o reconhecimento da diferença é o passo essencial para a desvirtuação do que tantas vezes é reconhecido como um problema. A sistematização do discurso da igualdade perde-se pela inconsistência do não reconhecimento da diferença. A militarização da educação, a formatação social, a globalização – seja no seu conceito mais lato, seja no mais estrito – escondem-nos as ferramentas para trabalharmos e progredirmos valorizando a diferença.

Na sociedade que busca a igualização, deixando que o valor do mérito de cada um, pelo seu empenho e dedicação nem sempre sejam valorizados, dedicamo-nos a identificar padrões, rótulos, tentando que a nossa linha tenha a inserção num desses padrões, para que possamos ostentar o correspondente rótulo, “ser aceites pelo grupo”.

Do ponto A ao ponto B, ou juntando pontos que resultam em linhas, nem sempre retas, que nos fazem ver desenhos possíveis, são assim tão diferentes membros da mesma família, irmãos que cresceram juntos num contexto estrutural e conjuntural em tudo idêntico. O nosso dever enquanto pais é o de estar atentos, de saber ouvir, de atribuir responsabilidades, e de respeitar aqueles seres que, muito embora nasçam de nós e por nós sejam educados, são seres únicos, com capacidades e vontades igualmente únicas. Orientar, sim, restringir ou coartar, não!

Eu acredito na sociedade da diferença. Eu não quero ser igual, quero ter oportunidades básicas iguais aos “outros”, com acesso a ferramentas essenciais. No entanto, quero lutar pela diferença, não pela hegemonia de género, não pela hegemonia de raça nem pela religiosa. Eu não me quero esconder atrás de argumentos sustentados ao longo de séculos, buscando a evolução da semiologia (no âmbito da linguística –  semiótica)  mas, paradoxalmente, esvaziando-se a magnitude da diferença em jogos de sintaxe que se interpõem entre o que poderia ser a nossa verdade, e a mentira do espaço padrão em que coexistimos.

Até já e um dia feliz!

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Os homens são tão distraídos… Aliens é o que vos digo!

2549x5371-cute-alien-pictures-cliparts-co-wF5z8B-clipartEu não sou minimamente fundamentalista no que toca à questão de “generalizar géneros”. São certas e sabidas as diferenças de género (e não, não vou falar das outras diferenças… outros post com direito a exclusivo virão), todavia, há um conjunto de características muito interessantes que, de um modo geral, é padrão dos homens e das crianças (jovens adultos incluídos).

Então cá vai: a tampa da sanita nem me aborrece por aí além; mesmo no que toca a tarefas e suas divisões… blá, blá, ok, hás vezes até fico surpreendida por entenderem que, cá em casa, sou  responsável por criar menus (sim, eu sei… ainda por cima o menu escolhido nem sempre é consensual), por ser uma espécie de professora chibanga, que faz adivinhação, e não reparou: Ó mãeee… já não há iogurtes dos meus. – Também o papel higiénico, bem como o seu amigo sabonete não se tele-transportam para a casa de banho, ou ainda as xícaras de café sujas que fazem brilhar a decoração do balcão da cozinha, em vez de tentar – ahhh esforço derradeiro de abrir a maldita porta da máquina –  pôr as ditas na máquina da louça. Enfim, observações intermináveis que contorno com doses do possível humor hormonal de cada dia.

Mas o que me deixa boquiaberta, verdadeiramente incrédula, é essa extraordinária capacidade que homens e crianças têm em fazer gincanas. Sim caros, gincanas! Pasmem-se os mais cépticos, mas eu passo a explicar: A C, as suas amigas ou mesmo a I deixam brinquedos desmaiados pela casa. Na cama da Pipa pode estar uma peúga pronta a ser roída, na escada pode estar o casaco do colégio, espalhados pelo chão este e aquele brinquedo, peças de jogos que já ninguém percebe a proveniência, e por aí fora.

E então vocês perguntam: e então?! Isso é o normal de todas as casas! – pois sim, diria que sim; no entanto, o facto extraordinário são aliens que contornam os objectos. Estas criaturas pairam sobre este universo de coisas diversas, utensílios, agentes microbianos – nunca repararam num cocó que a Pipa resolveu deixar no tapete da casa de jantar, nem têm olfacto para a magnifica fragrância  –   contornam-nos, desenvolvendo um esforço em 3 partes distintas: físico (parece que estão a jogar Twister), teatral (… a ver se ninguém viu que eu vi…), e mental, uma vez que estão sistematicamente preparados para respostas que vão desde o costumeiro: não vi! claro que não vi, senão apanhava! (gosto do ar indignado); ou ainda: Só ia… e de seguida vinha arrumar… – ou whatever!

Há dias em que acredito que me canso menos a limpar cocós de cadela e apanhar brinquedos do que estes pequenos e grandes aliens a fazerem gincanas.

Vou ver se não tropeço em nada no caminho para a cama.

Até já…

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