Brincar às exéquias… Sinistro?! Não, coisas de miúdas!

Há uns dias, a C. estava com a sua amiga I. a brincar no quarto. A I., muito querida, veio pedir-me pão e eu perguntei-lhe preocupada:

– Estás com fome querida? Vamos já jantar de seguida…

– Só quero um bocadinho de pão – balbuciou – com nada, gosto de pão com nada.

Pão stefanny.png

Perante a determinação da I. dei-lhe uma fatia de pão e prossegui com os meus afazeres. Mal sabia nessa altura que o pão era para a Stefanny. E perguntam vocês: quem é a Stefanny? Pois bem, a Stefanny é um pássaro imaginário que estavam a tentar alimentar, garantindo que a haviam visto na penumbra… – Sim eu sei, são umas privilegiadas que chamam pássaros com um apito para o efeito, obtêm respostas e ainda os “adoptam”. Adiante. – Consta que apareceu uma águia (as coisas devem estar complicadas lá para os lados do Benfica) e se apoderou da Stefanny, chamando-lhe um figo para o jantar.

diversão passaros.png

 

Não sei porque ainda decidi boicotar a história das miúdas com: uma águia? Aqui ao pé de casa?!!! – Fiquei-me por aqui.

Durante o jantar disseram-me, com um ar solene, que tinham organizado o funeral da Stefanny. Nesta fase já não demonstrei qualquer surpresa, embarquei na brincadeira insólita e lá fui participar no funeral, que prepararam com tanto carinho.

Nota: Não foi uma águia, foi um gavião. Ah!!! E Stefanny escreve-se… deixa ver…

sTéfani 🙂  🙂  🙂

burst

Como, de acordo com o testemunho das miúdas, não havia corpo… (OMG!!) aqui fica a sTéfani…

bty

Espero que os pais da I., de quem tanto gostamos, não a proíbam de vir cá a casa… Ups… é que, no mínimo, é sinistro.

Vivam as crianças e a sua fértil imaginação!

laço 100px

 

 

Quando for grande quero ser…

Pois é, a C. tem mostrado desejo de ser… a lista é grande, e tenho o receio de me esquecer de alguma coisa. Vamos lá:

  • Escritora
  • Tratadora de golfinhos
  • Veterinária
  • Cientista
  • Juíza (para poder usar o “martelinho”… posto que lhe expliquei que podia usar o martelinho sempre que quisesse sem ser juíza, riscou essa profissão do mapa :))
  • Cantora
  • Funcionária (onde é que a miúda foi buscar esta expressão?!) do jardim zoológico

A mana queria ser quintina (dona de uma quinta cheia de animais), veterinária e artista. Artista ficou 🙂

O mano queria ser homem das cavernas… OK! chamemos-lhe projecto em curso…

tanty.png

Que a C. seja o que quiser ser, que encontre o seu caminho, e que este a faça tão feliz como é agora, com estes ou outros projectos.

laço 100px

 

O “resto da nossa Vida”

areia

No fim-de-semana, falava com uma querida amiga sobre a questão dicotómica: carreira/Família. Mas mais do que a expressão que reduzimos a estas duas palavras, a consciência do que temos, o que queremos, o que significa o nosso bem estar, paz, e por bem-estar e paz falo não apenas de nós, enquanto seres humanos, mas do ser humano que não se dissocia da família que gerou ou pretende gerar.

No momento em que temos filhos, a nossa identidade integra a “outra”, a dos filhos; ou se quisermos, funde-se e, por mais que persista essa consciência identitária do EU, sobrepõe-se, de um modo geral, a identidade do NÓS. Assim, já não existem decisões que dependam exclusivamente de nós, porque por mais que subsista a nossa  “última palavra”, passamos a ponderar a identidade conjunta – que é a nossa, a deles e a do conjunto a que chamamos família.

Como identidade coadjuvante, temos responsabilidades acrescidas, pois toda e qualquer decisão que tomemos afectará, positiva ou negativamente, o todo.

Contudo, a forma identitária distingue-se, como que emerge com a maturação. Estruturamos-nos com o correr dos dias, sempre que nos desconstruímos e fundimos novos alicerces. É nesta fase que, porventura, nos questionamos sobre o que queremos fazer com o resto da nossa vida.

O “resto da nossa vida” pode ser ao vinte, aos trinta, quarenta ou outra qualquer década, dependendo da intensidade e das escolhas de cada um. Já o  Sérgio Godinho dizia que “hoje é o primeiro dia do resto da minha vida”; o primeiro dia, descortinada que foi a importância da relatividade da riqueza material, o primeiro dia, assegurada do que vem em primeiro lugar da pirâmide de cada um, decidimos então viver como escolhemos, sem recriminações, sem sustentar argumentos para os que não entendem a escolha, seja ela qual for.

O que é que nos faz felizes? O que é que nos faz crescer espirutualmente? O que nos faz ser melhores seres-humanos? Melhores mães, melhores pais?

Querer voltar a estudar, querer mudar de carreira, de país, integrar um movimento ou criá-lo, viver no campo e do campo, enfim, o que for; ou, pura e simplesmente não mudar nada se assim é a nossa felicidade. Todavia, se a mudança passar por, eventualmente, perder a tão almejada distinção da “carreira”, a mesma que nos fez perder o jantar de família, as expressões inusitadas do dia a dia dos nossos filhos que expressam todo o seu ser e o seu desenvolvimento, e tudo o que é praticamente impossível de descrever, pela sua intensidade e singularidade, então eu escolheria, indubitavelmente não perder nenhum momento com “os meus”, ainda que tivesse que optar por um estilo de vida mais modesto.

Não há cotação possível para as horas, dias, meses e anos de ausência. Se fosse possível conciliar o que me parece, pelo menos no nosso Portugal, inconciliável para a maior parte das famílias, fantástico! Mas é neste Portugal que se continua, na maior parte dos casos (graças a Deus que há excepções!), a valorizar o tempo passado no local de trabalho, mesmo que este tempo não seja produtivo. Rotinas orientadas por gente poucochinho que crê viver numa realidade de distinção pelo lugar que ocupa numa empresa ou pelo carro que conduz.

Também é verdade que, na maior parte do casos, não há, infelizmente, outra opção. Há que desdobrar o dia para garantir o sustento, e não se pode fugir nem mascarar o óbvio.

O que quer que desejem fazer com “o resto das vossas vidas”, façam-no, se possível, sobretudo lutem por isso. Ah… E o que os outros acham?! É só isso, o que “eles acham”, porque somos nós que temos que viver connosco para o resto da nossa vida.

Sejam Felizes!

laço 100px