Dúvidas de criança

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  Ontem a C. perguntou-me se quando crescesse, em tamanho, também mudaria como pessoa… fiquei… What?! – procurando disfarçar a minha surpresa inicial, respondi-lhe prontamente que sim. Então ela voltou a interpolar-me, procurando saber se também eu tinha mudado.

Retorqui que tinha mudado pois à medida que crescemos vamos acumulando experiência e conhecimento, e então a nossa percepção do mundo vai-se alargando, vamos relacionando tudo o que vemos, ouvimos, lemos e vamos assimilando essas

teiasspider.png, de acordo com os nossos princípios, as nossas forças e as nossas fraquezas. Expliquei-lhe, ainda, que continuo a mudar todos os dias, mesmo porque já lhe havia dito que todos os dias aprendemos, com tudo e com todos, basta estar atenta.

É impressionante como esta minha cria, com apenas 7 anos, correlaciona o abstracto e o “desembrulha”. Fiquei e fico feliz que a C. tenha estas e tantas outras dúvidas, pois é duvidando, questionando, que nos desconstruirmos e construímos, o que, porventura, nos aperfeiçoa.

Nesta conversa, como em tantas outras que vamos tendo, rematei com o que considero fundamental:

– Independentemente das mudanças que a vida nos imprima, e que nós imprimamos a nós próprios, que seja sempre genuína e fiel aos seus princípios e valores; tudo o resto se encaixará naturalmente.

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Bexiga não liga com Bexiga…

Há uns meses atrás, a C. perguntou-me se podia casar com uma amiga. Se esta conversa se tivesse passado com a T. ou com o J., 20 anos antes, teria automaticamente dito que não, que as mulheres casam com os homens, blá, blá…

Todavia, face à sua pergunta, não hesitei em responder de imediato: SIM! Compreendo e respeito quem não pensa e não sente assim (eu fui educada para o preconceito, “tatuada” com terminologias e definições a respeito de toda e qualquer diferença), mas se no nosso país a Lei que regula o casamento entre pessoas do mesmo género entrou em vigor a 5 de Junho de 2010 (17 dias antes da C. nascer), como poderia eu responder de outra forma?

Adiantei que o Amor não tem género e que respeitaremos sempre as suas escolhas. Quero que a C. seja uma pessoa esclarecida, que o respeito enquanto valor fundamental lhe seja endógeno. Raça, género, religião? Qualquer escolha que faça, desde que a faça com a consciência de que esses valores fundamentais vão ser honrados e respeitados pela pessoa escolhida, digo-lhe a ela o que disse aos manos, à medida que interiorizei o valor da diferença na minha vida: só quero que sejam felizes.

Claro que… Bom! Ando “às voltas” para lhe explicar o funcionamento da reprodução… É que a C. já me disse: bexiga não liga com bexiga… – Mas não há-de ser difícil. Acreditem, nós, adultos, é que complicamos tudo, para eles – sem filtro e com um invulgar pragmatismo – é tudo muito mais fácil.

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